segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Resiliência

«Hoje à tarde a dor causada pela minha solidão penetrou-me tão profunda e intensamente que eu tive consciência de que a força que obtenho ao escrever estas coisas se gasta assim, força que não compensava destinar a este fim» Franz Kafka

Momentos delicados, períodos conturbados, muitas dúvidas e pouquíssimas certezas. É toda uma mistura de sentimentos, pensamentos, devaneios, desabafos, revoltas pessoais, desilusões e ilusões.
Fosse esta uma obra de ficção e teria tanto ou mais sucesso que uma qualquer mega produção. Em momento algum, pensaria eu que uma das maiores certezas se transformasse em fumo e fosse afastada como cinzas atiradas ao mar. Perdi-me dentro de mim e também eu fui levado pelo oceano para outras paragens -  uma metáfora realista - que outrora eu já conheci. A dor, essa, foi mais sentida, mais consciente e racional, mas a vida continua e eu procurei sair dessas paragens outrora minhas. Arranjei forças que não tinha, fiz coisas que não queria e chorei lágrimas que pensava já não existirem em mim.

Recompus-me, tentei desculpar-me a mim e desculpei os outros. Tentei não desistir dos outros como forma de não desistir de mim. E voltei a esboçar, ainda que tímida e dolorosamente, um sorriso, voltei a caminhar, voltei a motivar-me, reencontrei-me com velhos amigos e conheci novas pessoas, umas mais marcantes à primeira do que outras...mas de que me valeu? Valeu cair, valeu voltar a bater lá bem no fundo, voltar a ser destruído, valeu mais lágrimas, valeu tudo. Foram más notícias, foram críticas, foram palavras desnecessárias, foi emocionar-me com a saudade de quem já não posso abraçar, foi lembrar-me de velhos tempos de quando o meu "ser feliz" se resumia a ter uma bola de futebol e conseguir retribuir o carinho que recebia, tudo isto assente numa data que tanto significava, mas que uma ligeira faísca fez com que tudo se converte-se em cinzas num incêndio de grandes proporções - uma metáfora da efémera viagem - e da qual eu não falei durante a dita.

Tudo culminou num abanar de cabeça e numa aceitação de que os sonhos morreram. Não me é permitido sonhar mais. A realidade é dura e eu sonhei por demasiado tempo. Agora tenho de lutar pelo único sonho que ainda me é possível: construir a minha própria família. Mas já nem esse me parece vir a ser possível...


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