quarta-feira, 3 de junho de 2015

Diamantes não duram para sempre

Foi um nada. Um nada que revelou tudo. Foi naquele momento, naquele segundo, que tudo mudou. O sorriso que pautou o dia, deu lugar ao olhar mais vazio e distante. Os pensamentos, que saltitavam entre o que fazer a seguir e o que já tinha sido feito, focaram-se apenas e só na única coisa que vive há anos dentro de si mesmo. Era a desilusão e a tristeza, o grito mudo e o olhar para dentro. Era o ódio a consumir como fogo todo um pensamento, todo um corpo, todo um ser. Aquele sentimento de incapacidade de reagir, mas ao mesmo tempo, de querer fugir, de se isolar, de afastar toda a gente de si mesmo. É incrível como alguém que consegue perdoar os maiores erros dos outros, não se consegue perdoar a si próprio, ainda por cima quando se limitou a errar porque foi levado a isso, por acreditar que nunca o iriam meter na beira do abismo para depois o empurrarem. Esse foi o seu erro maior; não ver o óbvio custou-lhe mais que uma fase...custou-lhe anos e continua a custar.

E o reflexo? O reflexo nota-se. São mentiras, atrás de mentiras, atrás de mais mentiras. Se o mundo é um teatro, está encontrado o maior actor de todos os tempos. Ou o maior poeta, já que "o poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que deveras sente" (Fernando Pessoa). A tudo isto, junta-se a necessidade de uma palavra que fosse. Palavra essa que não veio. Veio o silêncio, a despreocupação, o desprezo. O que houve, foi um ignorar de tudo. Houve um desligar da máquina. Não havia a procura da razão. Nem chegou a haver. Quando chegaram as palavras, continuou sem haver a procura da razão. Houve um ligeiro reconforto, o que seria normal, mas esse, era óbvio e o óbvio, por muito que chegue, não preenche todo o espaço. Falta algo mais.

Será que algum dia vai chegar? Será que algum dia vai realmente chegar esse pequeno pedacinho que falta? Ninguém sabe. A certeza, essa, é que é na solidão que se descobre a verdade. É cruel, mas não há outra hipótese. A verdade, é que todos estão sós. A verdade é que as promessas vão ser quebradas. Os laços, eventualmente, vão ser cortados. Também é verdade que há quem lute contra isso, mas não recebe o devido reconhecimento ou valor. Não é difícil ver. Difícil, é ver e dizer 'presente'.

O que aconteceu ao actor que também é poeta? Eu não sei. Sou apenas o simples autor, e os que lêem o que escrevo "na dor lida sentem bem, não as duas que ele teve, mas só a que eles não têm".

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