quinta-feira, 23 de julho de 2015

Sentir. Mentir. Fugir.


"Como é possível não sentires nada?", perguntam-me quando digo que nada sinto por ninguém. É simples: nós vivemos num mundo carregado de mentiras, cada uma com um peso diferente, mas que deixam a sua marca. Questiono-me sobre o motivo que leva a que as pessoas mintam e as respostas são várias. Há quem minta por medo, quem minta por querer esconder algo. Há quem minta para fugir dos outros ou para fugir daquilo que sente. Há até aqueles que mentem por não terem coragem para enfrentar a verdade. Em último lugar, encontram-se aqueles que mentem para esconder aquilo que são ou a forma como estão...é mais fácil dizer que se está bem quando se vive no caos do que pedir ajuda. Todos nós mentimos e cada mentira tem um peso diferente. O problema é quando essas mentiras afectam directamente as outras pessoas, aquelas de quem gostamos, família e amigos. Essas são as piores mentiras.

Confesso que quando me mentem, mesmo eu sabendo que estão a mentir, não me afecta tanto quanto pensam. Simplesmente desligo a ficha e quem me mente, além das devidas 'chapadas' que vai levar por eu dizer 'presente', vai deixar de receber a atenção que eu dava até ao momento da mentira. É claro, não é algo tão linear e certas mentiras eu aceito e compreendo, mas aquelas que eu vejo que são o fugir de algo, aquelas que realmente me fazem pensar, essas eu não desculpo. O que mais me custa é essas mentiras virem das pessoas que menos esperamos que o façam. O resultado é simples: eu deixo de me importar. A partir daqui, nasce o efeito dominó. Deixando de me importar, deixo de me preocupar. Deixando de me preocupar, deixo de sentir. E a soma das despreocupações leva à pergunta que abre este post. Sinceramente, estou cansado de todas estas mentiras, de todo este fugir e de todas estas ilusões com que bombardeiam os meus pensamentos e a minha pessoa. "Tens de acreditar", dizem-me. Eu já não acredito. "Tens de ser egoísta por uma vez na vida". Também não consigo. Eu dou tudo de mim e o que recebo são mentiras, mas pelo menos consigo dormir de consciência tranquila. Não importa o quão insensível me possa tornar ou o quão despreocupado com os outros me possa tornar. Eu não vou mudar aquilo que sou. Vou continuar a viver nesta realidade, por muito que na minha cabeça pinte uma realidade alternativa como sempre fiz.

Não sinto, não quero saber. Não tenho saudades de sentir nem sequer tenho saudades de ter saudades. Só sei que eu me vou manter honesto comigo próprio, independentemente de tudo. Talvez um dia tudo isto mude. Talvez alguém um dia tenha a coragem de entrar na minha realidade alternativa e a pinte com outras cores. Não que eu tenha esperança nisso, mas deixo a porta aberta a surpresas. Surpresas são sempre bem vindas.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

As Coisas Que Acontecem


Não é difícil divagar em pensamentos sobre o nosso presente e passado. Difícil é quando prendemos esses pensamentos nos "ses" da nossa vida, no que podíamos ter feito e não fizemos ou naquilo que fizemos e não devíamos ter feito. É um processo normal de auto-avaliação que nos pode tornar melhores ou piores pessoas. Pode até ter o efeito de nos fazer fechar perante os outros. Quantas vezes já aconteceu darmos por nós a afastar-mos as pessoas de quem mais gostamos simplesmente por acharmos que uma determinada atitude pode ter sido errada da nossa parte? Falo por mim, que o faço constantemente, pese a minha tendência em querer afastar as pessoas, isto quando sou alguém que não suporta a ideia de estar sozinho, porém, faço de tudo para estar sozinho. Só que o ponto de discórdia está precisamente nesse pensamento.

Nós não controlamos a nossa vida. Por vezes, acontecem coisas que nunca esperávamos que acontecessem. Coisas que nunca tínhamos sequer imaginado. Ficam as marcas e os pensamentos começam e eu não me arrependo de numa dessas coisas que aconteceram. Uma escolha, um gesto, uma palavra, um abraço, um beijo. Nunca me arrependi nada até hoje e tive a minha grande dose de más escolhas, mas houve coisas inesperadas que aconteceram e que me fizeram sentir vivo, algo que, por vezes, me é essencial para me lembrar de mim próprio. Adorava repetir muitas dessas experiências que aconteceram, mas não depende só de mim, depende de muitos factores, de pessoas...tanta coisa! No entanto, sinto-me preso a algo. Algo que já não volta, mas que foi o melhor que aconteceu em anos. A vida dá muitas voltas, mas esta é uma volta que não voltará. Para alimentar o conflito, houve os in between moments que eu gostava de repetir como nunca quis repetir nada na vida. Foram inesperados, aconteceram com a maior naturalidade de sempre e quanto mais tempo passa, mais eu penso que talvez devessem acontecer outra vez. Foram excelentes e fizeram-me sentir vivo. Um pequeno detalhe no meio disto tudo, é que eu vejo uma luta contra aquilo que é natural e não, não é da minha parte.

Talvez essa luta seja apenas fruto do medo, talvez seja a incapacidade de admitir o que quer que seja. Talvez até seja fruto de uma constante negação. Uma negação que não é minha, mas que quando não existiu teve o condão de me marcar. Eu posso até estar errado, admito-o, mas não tenho qualquer arrependimento. Só queria não me sentir ser afastado pelo medo dos outros. E mais uma coisa: que os meus pensamentos não me prendessem num círculo vicioso que me faz esperar por algo que poderá nunca voltar a existir.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Que a música fale por mim #1



Anathema - Lost Control

Life.. has betrayed me once again

I accept that some things will never change.
I've let your tiny minds magnify my agony
and it's left me with a chemical dependency for sanity.

Yes, I am falling... how much longer 'till I hit the ground?
I can't tell you why I'm breaking down.
Do you wonder why I prefer to be alone?
Have I really lost control?

I'm coming to an end,
I've realized what I could have been.
I can't sleep so I take a breath and hide behind my bravest mask,
I admit I've lost control
Lost control...


quinta-feira, 2 de julho de 2015

Vais Desistir?

Hoje escrevo para ti. Sim, para ti que lês atentamente as coisas que eu escrevo, umas vezes fictícias, na sua maioria verídicas. Muitos desabafos, outros que nem sei em que categoria colocá-los. Talvez sejam só traços de uma insanidade ou então são meros desabafos de alguém que tu conheces demasiado bem, mas que publicamente dizes não existir, quando na verdade ele está aí, contigo.

Explica-me uma coisa; como é que consegues estar tão tranquilo com situações onde muitos temem e tremem, mas tens medo da rejeição? Ninguém te vai rejeitar...pelo menos num todo. Há sempre quem precise de ti em algum momento, mesmo que seja só para aquele momento. Tu tens o estranho dom de te fechares no teu mundo onde ninguém entra, porque te assusta tanto e tu tens tanto medo que temes ser humilhado por isso. Rejeitado e humilhado. Sabes quem era assim? O mesmo tipo que escreveu as palavras que encontras na foto acima. Eu sei que tu o conheces. Sei também que procuras o mesmo que ele, apesar de forma diferente. Procuras fixar-te, procuras criar a família perfeita, aquela que tu tens na cabeça e que queres desde pequeno. Coincidência ou não, tu e ele tinham a mesma idade quando começaram a idealizar a família perfeita, só que tu não viste os teus pais separarem-se como ele viu. Queres mais semelhanças? Vocês sempre quiseram a atenção toda, mas sempre fizeram por se afastar dessas atenções, só diferem num aspecto: é que ele conseguiu conquistar o mundo e tu não. Porque vocês os dois até têm a particularidade de serem geniais quando colocam o coração a funcionar com a criatividade. Podia continuar, mas é melhor parar por aqui. Afinal de contas, nem tu queres que tudo seja igual, certo?

Eu sei o teu valor e sei do que és capaz. Sei que estás limitado ao que te deixam fazer e não ao que tu és capaz de fazer. Tu deixas-te abater por isso, mas não devias. Sabes porquê? Porque o facto de tu batalhares por mudar e por fazer é o que lhes está a fazer confusão. É isso que faz com que te puxem para trás. Por muito que te doa, não desistas, porque não vale a pena. Parte para cima deles com todas as tuas forças. Eu sei bem do que és capaz, assim como eu sei que tens noção disso. Tens é um defeito muito grande, que é tentares agradar a toda a gente e tentares ser perfeito até no mais pequeno detalhe. Tens falhado. Não procures tentar ser perfeito. Procura apenas melhorar aquilo que és. Tu já viste como consegues chegar às pessoas com tanta facilidade, quando assim o queres? É isso e manteres-te fiel a ti próprio. Não achas que isso já é perfeito o suficiente? Não esperes pela minha opinião porque, sejamos sinceros, a tua opinião será também a minha opinião. Podemos sempre guardá-la para nós e deixar que os outros digam o que quiserem.

Mas não é por isso que te escrevo. Escrevo-te para te perguntar: não estás farto de querer o impossível? Não estás cansado de tudo aquilo que tu queres para ti, tudo aquilo que é perfeito para ti, simplesmente não te querer a ti? Eu sei que custa veres os outros fazerem o mesmo que tu e só tu seres vítima de um tratamento diferenciado dos outros. És diferente e sempre foste. Nada do que tu venhas a fazer irá fazer com que as coisas mudem. Essa tua forma ridícula de pensares que és capaz de ser aquilo que os outros querem é humilhante para ti própria. Tu, que odeias ser humilhado, humilhaste a ti próprio. E esse teu medo da rejeição? É ele que te faz ser rejeitado. Foste criado com valores, grandes valores, mas repara, tudo o que tu fazes é cuidar dos outros. Eles acomodam-se e depois passas a ser apenas isso mesmo: alguém que cuida dos outros. Vê o que já conquistaste. Vê as tuas relações. Perdeste tudo aquilo que quiseste cuidar com tanta atenção, com tanto carinho. Tu perdeste isso tudo e vais perder mais. Acredita em mim quando te digo que as batalhas que estás agora a combater, são batalhas que tu vais perder. Todas. Uma por uma. Vais perdê-las só para chegares a um nada. Eu sei que tu dizes para ti que os outros deviam saber que quando tu caíres, já tu viste todos caírem e eles nunca te verão a ti cair. Até acredito em ti. Acredito genuinamente que ninguém te verá cair. Ninguém te verá cair porque quando tu caíres já ninguém precisa de ti e passarás de "muito" a "nada". Acho que estás perto de atingir esse nada. Diz-me se valeu a pena cuidar dos outros como cuidas. Valeu? Não me parece, mas o que dizes tu?

No fundo, sei que tens esperança em conquistar essas batalhas. Uma esperança tão grande quanto a queda que tens pela frente. Deixa para trás. Segue a tua vida. Tu mereces ser tratado da mesma maneira que tratas os outros. Dás tudo de ti, mas ninguém dá um terço de si por ti. Segue em frente. O fim ainda está longe, apesar de pensares o contrário.

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Hipócritas cansam-me

Há uma coisa que eu não consigo entender nas pessoas. Passam a vida a queixar-se de um determinado aspecto, que lhes faz mal e que não se sentem bem com isso e que querem seguir um novo caminho. A vida abres-lhes a porta para a mudança e quando já só falta fechar a porta para seguir caminho, voltam para trás. Faz-me uma confusão tremenda isto. Não por ser a vida dos outros, mas porque essa atitude acaba por me afectar directamente. Como? Porque enquanto eu tento ser o mais honesto possível ao tentar ajudar as pessoas quando me pedem ajuda, estou a dar também o melhor de mim para os outros, estou a esquecer-me que também eu preciso de mim para ajudar os outros e, acima de tudo, estou a dar cabo de mim por ir adiando a resolução dos meus próprios problemas tudo para que os outros possam andar com um sorriso na cara! Estou cansado disto tudo. Ou me pedem ajuda porque realmente precisam dela ou calem-se de uma vez por todas com os "estou mal e quero mudar". Eu estou farto de ser "o melhor amigo das horas péssimas, depois podes voltar para a prateleira e faz de conta que não me conheces". Isto é ser hipócrita. E a hipocrisia paga-se cara quando me afecta directamente a mim.

"Nem parece um post dos teus, dos que costumas fazer aqui". Pois não. Porque não é. Porque me cansa ter que ver situações com as quais não concordo. Dói-me ver pessoas mandarem-se para um abismo, pedirem-me que as salve e depois atiram-se outra vez. Que sirva de aviso a todos os meus amigos que lêem este meu blog: se eu vos ajudo é porque acredito cegamente que vocês têm muito mais para dar, mesmo que a vossa felicidade signifique vocês terem de sair da minha vida. Só não cometam os mesmos erros uma e outra vez. Porque enquanto eu fizer algo por vocês é sinal que me preocupo e que de alguma forma vocês fazem parte do meu "espaço", o qual vocês deviam saber melhor que ninguém que é difícil de entrar. Não estou a dizer que vocês terão aqui um inimigo. Nada disso. Vocês são o vosso próprio inimigo e o pior deles todos, sabem porquê? Porque são uns conformados da pior espécie. Vamos aos exemplos práticos só para finalizar este post.

Eles: sabes que és traído pela tua namorada, acabas com ela, começas a refazer a tua vida, mas assim que a tua ex te diz "volta para mim, tenho saudades tuas e nunca mais te vou magoar" parecem cachorrinhos a correr atrás do osso. Resultado = sai mais um par de marfim para a mesa 1.

Elas: podem ser traídas, podem ser gozadas, podem ser usadas, podem tudo. Acabam com o namorado para seguirem um caminho melhor. São livres de fazerem o que quiserem. E o que escolhem fazer? Voltar para a pessoa que vos trata de todas as formas menos da forma que merecem. 

Agora digam-me ambos: gostam de ser usados(as)/gozados(as) ou são só masoquistas? Seja qual for a resposta, não me usem nem venham dar uma de coitadinhos(as). Eu tenho mais que fazer.