quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Divagar para desanuviar

São momentos que marcam. São palavras que vão ou que ficam. É toda uma panóplia de situações que nos deixa numa espécie de bloqueio. Nem sempre é fácil superar essas situações e, num momento de maior raiva, pode dar-se o acaso de serem ditas palavras indesejadas. Uma conversa que parece não ter fim, mas que vai acontecendo inúmeras vezes, tantas que já se sabe de cor as palavras que vão ser proferidas durante essas conversas. A que se deve tão indesejada repetição? A que se deve tão indesejados acontecimentos? Alongamos o nosso pensamento à procura de respostas, justificações, sentidos...com que objectivo? Será assim tão difícil partir sem respostas, justificações ou sentidos? Não é só nas pequenas coisas, é também nas grandes, nas importantes.

Confesso que sou uma dessas pessoas que precisa saber as respostas, ter significados e encontrar os sentidos que me devoram os pensamentos. Não diria que é uma forma de desordem obsessiva-compulsiva, apesar de viver com base nos detalhes. Aprendi a disfarçar bem esse sintoma, para meu bem e para bem daqueles que me rodeiam e a desorganização que tenho em meu redor é apenas parte desse disfarce. No entanto, a desorganização de pensamentos é algo que eu não me posso dar ao luxo de ter. E aqui volto eu, ao processo de sempre: justificações, sentidos, significados, respostas. Não suporto a ideia de ter uma ideia a meio. E quando encontro uma resposta, logo surge outra dúvida. Umas baseadas pelo medo, outras pela incerteza, outras pela esperança. A questão não é o "porquê?". A questão, para mim, é saber quando é que isto vai parar. Quando é que vou ter, finalmente, a possibilidade de viver longe das amarras destes pensamentos, desta procura incessante por respostas. Eu espero de forma quase perversa pelo dia em que serei capaz de pensar apenas em coisas inúteis; que roupa visto, o que é que farei para a refeição, que livro vou ler a seguir, que música me apetece ouvir...esse tipo de questões mais mundanas e despreocupadas. Porém, sei que esse dia nunca irá chegar. Estarei constantemente a desafiar os meus pensamentos e a desafiar-me a chegar mais longe.

- Será que poderei ser feliz dessa forma?
- Será que poderei ter quem eu quero dessa forma?
- Será que poderei cumprir os meus desejos se continuar assim?
- Será que me conseguirei perdoar se falhar?
- Será que conseguirei não falhar?
- Porque tenho eu de passar por este, digamos, Inferno?
- Porque tenho eu de batalhar todos dias e só receber chapadas a troco de nada?
- Porque é que eu não me consigo desvincular de tudo isto?
- Porque não consigo eu pensar apenas em mim?

São só algumas das perguntas. No entanto, esta última é um pouco contraditória com outro aspecto que eu reconheço em mim como é a necessidade de querer as atenções apontadas para mim, o que contradiz bastante com aquilo em que me tornei. Preciso sentir-me útil, mas preciso, acima de tudo, que olhem para mim, quase como querendo que me coloquem num sítio onde todos possam olhar para mim. E nunca tive falta de atenção, afasto-me dela a sete pés, mas preciso dela. Psicologicamente, isto seria considerado o distúrbio do défice de atenção. E voltamos às perguntas: porquê a mim? Porque tenho eu de sentir esta necessidade de querer as atenções todas para mim, quando eu até fujo desse tipo de atenções? Um dia terei essas respostas, resta saber quando.

Por vezes desejava não me perder tanto nestes pensamentos, pois já perdi tanto à conta destes. Só gostava de ter de volta, o que de bom já tive em tempos. Na sua plenitude.

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