segunda-feira, 24 de março de 2014

Há dias assim

«De facto, não estou perdido. Já me perdi várias vezes, de várias maneiras e feitios. Desta vez estou apenas sem saber que caminho seguir. Uma espécie de encruzilhada. Sei que vou escolher o caminho certo ou então esperar que amanhã tudo seja diferente»

Todos temos aquele(s) dia(s) em que nos sentimos vazios, sem nada. A nossa cabeça não "funciona". Funciona, mas a pensar no que foi, no que podia ter sido, no que nunca será e no que não foi. Nem faz tanto sentido eu sentir-me assim. Tenho uma família espectacular, que sempre combateu as adversidades de uma vida injusta. Tenho uma namorada extraordinária que é também minha amiga e tem sido em alguns momentos o motivo pelo qual eu levanto a cabeça, engulo o meu orgulho e luto por aquilo que gosto no mesmo dia em que me dão motivos para desistir de tudo. Tenho amigos que não trocaria por nada. Então, que me falta?

Falta-me aquela parte que exclui todas as outras. Falta-me a parte em que eu sou um auto-crítico com sentimento de dever cumprido. Não me sinto uma desilusão na escola, mas tenho noção que devia ser bem melhor. Não me sinto desilusão no futebol, mas podia dar bem mais de mim se me deixassem. Não me sinto uma desilusão na música porque...não a tenho feito.

Escrever faz-me bem. Escrever faz-me dizer tudo o que tenho de mal ou dizer tudo o que acho mal. A música foi, por muitas vezes, o meu escape do mundo. Foi com a música que ultrapassei uma das fases mais complicadas da minha vida. Faz-me falta fazer música. Faz-me falta exteriorizar estes sentimentos que guardo só para mim como se fossem o segredo mais bem guardado do mundo.

Faz-me falta sentir o que vai no lado mais escuro do meu cérebro. De resto? Tenho tudo.


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