quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Deixa

Deixa que a vida me leve
Em contrapartida, deixa que ela fique
Que me deixe ser breve
Mas que me deixe sem que se explique

Deixa que o medo me consuma
Que me faça sentir o que não sinto
Que me esconda no fumo
De todas as palavras que eu não digo

Deixa que eu grite no silêncio
Coisas que ninguém vai ouvir
Porque não se ouve quem não grita
E eu só consigo sorrir

Deixa que eu finja a verdade
Que eu acarreto as consequências
Não é inocência ou vontade
É o resultado de todas as experiência.


Deixa que eu me lembre do sentido em que me liberto
Escravo da minha própria solidão no meu império
Onde a vontade alonga a minha escrita, sou servo
Da caneta que deposita a tinta nesta folha de papel

Deixa que eu continue a deixar os outros passarem
Deixa que eu continue a dizer a eles para continuarem
Deixa que eu lhes diga para nunca pararem
Deixa que eu faça tudo, mesmo não querendo que me deixassem

Se eu vivo para os deixares desta vida e da próxima
Que me catapulta para o centro da minha incógnita
Que me controla e devora em todo e qualquer hora
Deixa que eu finja ser forte quando só peço que fechem a porta

Faço-te um último pedido, a ti que me tens lido
Peço-te que me deixes neste sítio, quero ficar sozinho
Deixa-me e parte em direcção ao teu destino com um sorriso
Deixa-me de uma vez por todas, mas lembra-te que desde o início

Te tenho mentido.


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