quarta-feira, 16 de setembro de 2015

O ponto de partida

Setembro, o mês maldito. Não é que não goste da chegada do Outono ou do saudosismo que fica das noites de Verão. São histórias, são momentos, são pequenas coisas que parecem significar muito e no final, acabam por significar um nada que apenas ajuda a aprofundar o vazio. As perguntas sem resposta, as respostas que não provocam uma reacção...o cansaço. Porém, o cansaço não justifica tudo. O vazio, esse sim, significa tudo e muito mais. Significa um mundo que não existe, significa um mundo que eu gostava que existisse. No fundo, significa a memória de que ser o melhor nunca será o suficiente. Para mim, para aqueles de quem gosto e para aquilo que me deveria fazer feliz.

Setembro será sempre aquele mês em que prefiro que não me digam nada, que me façam sentir que sou louco e que não tenho ninguém, porque no fundo, não tenho mesmo ninguém. Por mais que me digam que tenho, que só tenho de acreditar, que só tenho de parar de pensar da forma que penso, não tenho ninguém. Esta será uma ideia a ser desenvolvida ao longo deste texto. Há excepções, como tudo na vida, mas serão elas suficientes para tudo o que envolve? Duvido. A força que este mês tem nos meus pensamentos malditos passa precisamente pela idealização de que tudo só pode piorar. Recentemente, coloquei precisamente numa rede social que "já devia saber que tudo aquilo que mais gosto, vou perder". Alongo a ideia: já deveria saber que tudo é efémero. A vida são apenas uns míseros dois dias e em ambos eu apenas tento fazer por sobreviver apenas mais uns minutos. Fazendo a divisão desta frase, permitam-me que diga que: são 12 horas para passar pela infância e eu começo a duvidar que as tenha aproveitado; 12 horas na adolescência, as quais passei por momentos mais baixos que altos; 12 horas a ser um adulto activo e a realizar todos os sonhos e eu só estou a viver os pesadelos; 12 horas para colher os frutos de toda uma vida e esperar poder partir desta vida com um sorriso. E quem quero eu enganar? Ninguém.

Setembro, desde que me lembro, nunca foi o meu mês preferido. Setembro marca o início da minha queda enquanto alguém que quer viver, para marcar a ascensão dos meus pensamentos que me querem afogar. Não há motivo para preocupação, porque eu sigo em frente. Sempre o fiz, independentemente dos danos causados. Foi em Setembro que começou a pior fase que conheci até hoje. Foi em Setembro que atingi o clímax das minhas mentiras para disfarçar os estragos que foram feitos. Foi em Setembro que me perdi de amores por alguém que não merecia. Foi em Setembro que me perdi de amores por alguém que não conseguia ver além do seu próprio umbigo. Foi em Setembro que conheci o ponto alto da minha existência e conheci a metade que precisava e foi no mesmo preciso dia, do mesmo mês, com alguns anos de diferença, que alguém conseguiu arruinar essa memória da minha metade. É preciso seguir em frente, por muito que não queira. Eu não sei o que mais me reserva o mês de Setembro, mas não creio que seja algo bom.

Setembro traz o frio que não sinto, o vazio que ofusco entre sorrisos. Setembro é isto. É o olhar para os outros e pensar "eu dei tudo de mim e o que recebi foi ficar cada vez mais vazio, cada vez mais só, cada vez menos esperançoso." Esperança? Setembro tirou-ma depois de ma ter dado. E tudo o que resta é isto. Eu não vou falar sobre isto, porque não quero. Porque chega-me escrever estas linhas. Não preciso de perguntas. Tudo o que preciso é do silêncio e de ser entregue à solidão a que pertenço desde que nasci. Não preciso de mais nada.

"And to scream confessions at the insipid sky parting clouds.
You let this one person come down in the most perfect moment.
And it breaks my heart to know the only reason you are here now is
A reminder of what I'll never have
(...)
For as much as I love Autumn,

I'm giving myself to Ashes."

(E gritar confissões às nuvens insípidas que partem dos céus
Tu deixas esta tal pessoa chegar no momento mais perfeito
E parte-me o coração saber que a única razão pela qual estás aqui neste momento
É uma lembrança do que nunca terei
(...)
Por muito que eu ame o Outono
Eu entrego-me às cinzas)
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