sexta-feira, 3 de abril de 2015

O paralelismo do tempo sazonal e da evolução pessoal


É o tempo quem nos define. Sem o tempo, nós estaríamos presos a uma constante onde nunca mudaríamos a nossa forma de ser, estar e pensar. Nós agimos perante as mais variadas situações e evitamos cair num paradoxo que nos entrega ao conflito da nossa existência. Quantas vezes damos por nós, em situações idênticas, a agir de forma diferente? A culpa é do tempo, que nos permitiu aprender as consequências de determinados actos. Relutantes, insistimos na ideia de que estamos a fazer algo com uma perspectiva futura, quando na maior parte das vezes apenas deixamos o tempo passar por nós, quando devíamos ser nós a passar pelo tempo. Quantas vezes pensamos nós nisto?


As questões que levanto tendem a fazer-me não agir, porque a vontade de encontrar respostas é mais forte. Por culpa dessa vontade, abdico de outras coisas essenciais à minha existência. Abdico dos sentimentos, do que devia realmente fazer, das minhas paixões...abdico de passar pelo tempo. "Ser demasiado teórico não nos leva a lado algum". Estarei certo que muitos pensadores entrariam em desacordo comigo, mas esquecem-se que as linhas teóricas que estudam e/ou seguem só foram possíveis porque houve uma acção; a acção de publicar, de estudar. E o que tem isto a ver com o tempo? Tudo.

Eu gosto do tempo. Gosto, especialmente, das noites quentes do Verão e das noites com cheiro a Primavera. Aquele cheiro de frescura, de uma Natureza que se está a renovar...é flores, é ervas, é árvores...parece que todos os cheiros ficam mais intensos. E eu gosto tanto.



Sem sentido? Não. Olho para estas mudanças sazonais e reparo como o tempo me mudou ao longo de cada velho ciclo, outrora novo aquando da sua chegada. Não há Primaveras, Verões, Outonos nem Invernos iguais. Cada um é diferente, cada um é único, mas cada um tem um traço específico que mantém consigo. O que muda, maioritariamente, é a maneira como nós vemos e sentimos essas estações. Pessoalmente posso dizer que:

- No Inverno sou mais fechado e reservado. Gelo por dentro, gelo por fora;
- Na Primavera sou mais esperançoso. Continuo fechado sobre mim próprio, mas permito a chegada de algo que me mude;
- No Verão sou mais optimista. Quente por fora, ligeiramente menos frio por dentro;
- No Outono afasto-me da esperança e começo a fechar-me. Sou mais saudosista.

A todas as estações, é comum algum desses traços mudar, apesar do vazio ser uma constante. E quanto mais tempo passa, mais vazio me sinto.

É o tempo quem nos define. E quanto mais tempo passa, mais longe fico dos sentimentos e torno-me cada vez mais vazio. Mas neste momento estou esperançoso e espero que algo ou alguém me aproxime do que sinto. Espero que algo ou alguém acabe com este vazio.

Como eu gosto do cheiro de uma noite estrelada da Primavera!

Sem comentários:

Enviar um comentário