sexta-feira, 14 de abril de 2017

Prometo mentir-te (ou esconder a verdade)

Não é uma questão de vontade ou de querer ser mesquinho. É apenas a vontade inerente em mim numa forma de tentar proteger-me contra aquilo que me fazes e que tanto me assusta. Só não me magoa porque já ganhei o hábito de me magoarem ao tentarem esconder a verdade ou, pior ainda, de me mentirem. Percebo quem o faz, mesmo que não o queira. É mais fácil mentir do que ser brutalmente honesto para com os outros. Deixa-me que te diga, é preferível ser-se honesto do que mentir e sabes porquê? Porque ao mentires, vais acabar por cometer erros que me permitem ver essa mentira cair e todas as tuas defesas, todas as hipóteses que tinhas para que eu compreendesse os motivos que te levaram a escolher algo em detrimento de uma outra coisa esfumam-se no vazio absoluto que são as mentiras.

Ainda assim, espero que compreendas que eu não sou, nem nunca serei, a pessoa mais indicada para falar sobre não mentir, porque eu tenho uma série de promessas que te faço todos os dias na esperança que tu, sim tu, entendas que não é fácil estar do meu lado. É uma forma de te proteger contra mim mesmo, que mais cedo ou mais tarde vou acabar por te magoar. Como é que alguém como eu magoa outra pessoa? Simples; eu afasto-te quando me começo a sentir afectado por ti e tu começas a sentir a minha falta como se uma ferida tivesse sido aberta. Não te preocupes, essa ferida sara e nunca voltará a abrir...até que um dia te cruzes comigo.

Eu vou dizer-te que estou bem, mesmo não estando. Vou dizer-te que não quero sair, quando na verdade só quero estar contigo, da mesma forma que vou sair contigo várias vezes e fazer a vida boémia com que nós sonhamos, mesmo que tenha um frigorífico e uma dispensa vazia em casa.

Prometo-te, acima de tudo, que vou rejeitar todos os teus convites quando quiseres estar comigo, mas aceitar de todas as outras pessoas. Vou usar uma desculpa qualquer, por muito honesta que seja, só para poder dizer que fui capaz de te rejeitar. Como se precisasse disso para marcar uma posição. Podia simplesmente ser honesto e dizer que não quero estar contigo por 100 motivos, mesmo que tenha 200 para querer estar. Garanto-te que isto não é fugir de mim próprio, é apenas fazer-te ver que se eu te digo que o mar é azul, é porque o mar é mesmo azul e não é nenhum reflexo do céu. Nós sabemos que eu estou a mentir. O que tu não sabes é que eu quero acreditar nessa mentira como verdade absoluta. Porquê? Porque eu não acredito ser suficientemente bom para fazer com que o mar se apaixone por mim. Nem eu, nem o mar nos perdemos, se assim for.

Sabes que mais? Prometo que nunca mais serei aquela pessoa que tanto pode fazer por ti e que vou andar por aí, à procura da próxima grande cena, só porque sou um tipo de modas que gosta de se esconder atrás de uma mentira mesmo que dentro de mim saiba toda a verdade.

Prometo também, que se namorar com alguém, vou acabar tudo com a desculpa de ser o grande amor da minha vida, mas que não é a altura certa. Prometo que digo isso enquanto vou traindo esse meu amor com outro amor que será a minha relação uns dias depois, mesmo que nunca te esqueça e que fique à tua espera.

Prometo que não te vou afastar quando sentir que tu me estás a afastar a mim, por um qualquer motivo que nenhum de nós entenda. Podemos fingir que é apenas parte do jogo como podemos mentir sobre isso e dizer que está tudo bem, ou mal, consoante a tua preferência. Nunca tive preferência por um lado do tabuleiro, mas sempre preferi começar pelas peças brancas. É mentira, sempre preferi as peças pretas, pois permite-me usar o teu passo em falso, já que jogamos o mesmo jogo, mas com a diferença de seres mais experiente que eu...ou então sou eu que te deixo pensar isso, como se fosse uma mentira que fui implementado em ti para que tu não tivesses essa hipótese comigo.

Prometo isto tudo e muito mais que tu queiras, desde que no final do dia tu saibas que de todas estas linhas, as primeiras são verdade e as restantes...bem, as restantes sou eu a cumprir a minha promessa de te mentir. Porque é isso que eu te prometo; mentir. Mesmo que as minhas mentiras sejam as tuas.

E sabes que mais? Nunca falhei uma promessa com a qual concordasse. Eu não concordo com esta, mas como prometo que te vou mentir, esta também irei cumprir.