segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Um rapaz que conheci


«Eras uma pessoa, que como todas as outras, lutava pela vida. Ajudavas meio mundo sem dar uma causa como perdida e preocupavas-te mais com os outros do que te preocupavas contigo. Quis o destino que errasses e acabasses sozinho. Começaste a auto-destruir-te aos poucos e se não eras louco, pouco faltou para lá chegares. Quando acordaste, ficaste com ódio e raiva por veres naquilo em que te tornaste. Julgaram-te como se estivesses no purgatório e de nada te valeu o teu arrependimento. Considerado culpado, tiveste de pagar com anos de sofrimento, como se já não fosses humano, apesar de te dizerem que és um anjo. Acreditaste e ganhaste esperança, inocentemente, até te terem dito para voares. Foi ali, naquele momento, que te viste incapaz, porque não tinhas asas. Foi nesse momento, que humilhado, sozinho e destruído, que verteste as tuas lágrimas.»

Estava no Verão de 2006, no solarengo e tórrido mês de Agosto, quando conheci um rapaz. Esse rapaz carregava em si os sonhos do mundo. Sempre que cruzávamos caminho, via o quão sonhador ele era. Acreditava que todas as pessoas tinham o bem dentro de si, algumas apenas o tinham de descobrir e ele, sempre prestável, ajudava a descobrir esse lado bom. Foram tantas a vidas que ele mudou, pela sua maneira de ser, pelas palavras certas na altura certa. Era como um verdadeiro anjo da guarda. Dotado de uma inteligência, criatividade e capacidade grandes, que humildemente dizia não ter, ele lutava todos os dias para ser o melhor naquilo que fazia. Fosse música, fosse futebol, fosse ajudar os outros, não importava. Desde que metesse um sorriso na cara dos outros, era o suficiente para ele se sentir realizado.

Ele tinha uma namorada, a quem confiava tudo e em quem confiava. Apesar de todos os altos e baixos do passado, ele continuava a acreditar que seria diferente. Não se enganou muito, apenas na perspectiva. Afastou-se das pessoas, deixou de ter prazer no que fazia e na escola já só demonstrava rasgos da sua verdadeira inteligência. Ele sentiu o mundo fugir-lhe e desde essa altura nunca mais foi o mesmo. Demorou a reconhecer que tinha uma depressão e essa demora custou-lhe amizades e um futuro diferente. Nunca admitiu perante os outros aquilo que tinha, nunca se desculpou, apesar de ter sido desculpado por todos. Só lhe queriam dar a mão, a qual ele rejeitava. Demorou o seu tempo, mas acabou por voltar a ser o que era, até certo ponto. Nos últimos tempos, esse rapaz tem andado no limbo entre o estar bem e o cair de novo. A diferença que vejo, é que desta vez ele agarra-se a todas as mãos que lhe aparecem. Consigo ver que ele apenas quer que não o deixem, apesar de ele não falar muito comigo sobre o assunto. Foi-se fechando cada vez mais. Uma vez, confidenciou-me: "um dia, espero ser capaz de anular todos os meus sentimentos." Eu sei que ele é capaz de chegar a esse ponto, apesar de se ter tornado um actor exímio. No fundo, ele só deseja que todos sejam felizes, mesmo que isso implique que o deixem para trás, algo que ele não é capaz de fazer a ninguém.

É verdade que a vida nos levou por caminhos diferentes, mas ainda assim, ao longo destes anos, fui vendo esse rapaz. O texto que abre este post, foi da sua autoria, nesse Verão que já não volta. Ultimamente tenho estado com esse rapaz. Tem ambições, mas já não tem sonhos. Voltou ao estado em que esteve, desde as atitudes aos pensamentos, mas com uma diferença...é que agora culpa-se a si próprio. Continua a querer o melhor e o melhor para os outros. Continua a dar-lhes a mão e a esquecer-se de si próprio para os ajudar.

Talvez um dia ele tenha tudo, daquele pouco que ele tanto quer. Até lá, ele vai escrevendo o que lhe vai andando às voltas no pensamento.


"Therapy is about every kids nightmare. When people are telling you that you need to get help but all you really want is a hug" -Alex Gaskarth

sábado, 7 de novembro de 2015

Saudades


Saudade. Não sei quantas vezes mais vou escrever sobre ti, nem quantas vezes mais vou escrever sobre a saudade. Sei que vou continuar a escrever a olha da mesma maneira de sempre. Aquele olhar de quem quer apenas ser parte de uma vida, que quer voltar atrás e recuperar um tempo que já não volta. Mais que um tempo, trata-se de uma pessoa. Por muito que o tempo passe, a ligação não cai. É a velha história de "quando duas pessoas conseguem apreciar a companhia uma da outra sem esboçar qualquer palavra". Se chegámos lá, qual foi mesmo o problema que veio dar cabo de tudo o que foi construído para se atingir o ponto em que "estamos lá", mas não estamos de todo. É como preencher o vazio com um vazio chamado ilusão. Não sei quanto tempo mais vai passar, se alguma vez as coisas vão mudar novamente ou se é apenas o medo. Incapacidade de esperar? Não sei se será isso. Por muitos que sejam os obstáculos, nós somos aquilo que fazemos. Sim, é uma frase demasiado complexa, porque nós também cometemos erros que não nos definem, mas podem levar à nossa definição enquanto pessoas. Até porque é com os erros que nós aprendemos.


Só que tu não foste um erro. Pelo contrário, foste a única coisa certa que tive na vida, até agora. Claro que não fecho a porta à hipótese de haver mais coisas certas, mas olhando em retrospectiva só posso afirma isso. No entanto, estes últimos tempos não foram positivos numa auto-avaliação que faço da minha vida e personalidade. Eu mudei, é verdade. E não foi assim tão pouco quanto possa parecer. Tornei-me algo que tu, na altura certa, impediste que eu me viesse a tornar e só te posso agradecer por isso. Não estou a dizer que a culpa é tua, longe disso! Tu escolheste o teu caminho e eu vou apoiar-te com tudo o que tenho. Apenas preferia não ter estas saudades. Entre a saudade de saber que estavas ali, mas que tinhas de ir embora e esta saudade em que não faço sequer ideia do ponto da situação, prefiro a primeira. Porque sabia que no dia seguinte, ali estavas tu, de sorriso em riste, pronta para animares os dias mais cinzentos. Agora, apenas estás aí, a tentar acreditar que tudo vai ficar bem e a tentar afastar-te de toda a negatividade. Estás aí, a pensar que tudo vai mudar só "porque sim", quando a verdade é que vais ter de lutar todos os dias para mudar algo. Eu vejo-te cair, mas tu já desististe de me pedir para te ajudar a levantar. Vejo-te ter pequenos momentos em que tudo o que tens é saudades de ti...e daquilo que eu era para ti. Só que também vejo que não queres isso de volta. Respeito a tua escolha e a tua decisão.

Eu? Eu fico aqui, com as minhas saudades, as minhas cartas e os meus pensamentos. A olhar por ti, como sempre. Afinal de contas, é nisso que eu sou exímio...a tomar conta dos outros e a ajudá-los a descobrirem a sua felicidade.

segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Sonhei contigo...

É inexplicável o que uma noite pode fazer com a cabeça de uma pessoa. Pelo menos com a minha cabeça. Sou daquele tipo de pessoas que passa um dia inteiro, até à exaustão a pensar no significado daquilo que sonhei na noite anterior. Procuro perceber o porquê do que sonhei, das pessoas com quem sonhei, da forma como me relacionei com elas nos sonhos. Perco a noção das horas em que a minha cabeça anda à volta com estes pensamentos. Horas. Dias. Dura tanto ao ponto de querer voltar a eles todas as noites. Porém, sonhos são como fumo e uma vez que eu acorde, não há volta para esse sonho. Sonhar com alguém é algo raro para mim. A maioria dos meus sonhos envolvem-me a mim, sozinho, em situações das quais não consigo sair. Porém, quando sonho com alguém, só existem três vertentes: ou estou a ser feliz, ou estou a dar a minha vida em troca pela vida e felicidade desse alguém ou, em último caso, estou a ser despedaçado por esse alguém. Desta vez venho-vos contar sobre o primeiro caso, ou seja, eu estava a ser feliz.

Sonhei com uma rapariga que conheço, que vejo quase todos os dias. Conheci-a há qualquer coisa como três anos. Já tinha sonhado com ela algumas vezes, mas foi sempre de passagem. Qual a diferença desta vez? É que ela não estava de passagem. Ela estava para ficar. Ela, eu e o mundo para conquistar. Lembro-me de acordar com um sorriso estúpido na cara. O mesmo sorriso estúpido com o qual sentia que estava durante o dito sonho. O mesmo sorriso que ela tinha...estúpido, mas perfeito. Até que acordei. Devia ter-me levantado da cama e feito a minha vida, em vez de me atrasar para os meus compromissos porque cometi o erro de tentar voltar a sonhar com ela. Não consegui.

hplyrikz:

More hereQual é o problema no meio disto tudo? O problema é que esta rapariga não é uma rapariga qualquer. Ultimamente temos falado muito pouco, quase nada, desde um pequeno episódio que abalou a minha confiança, numa altura em que eu não precisava disso. Talvez até seja culpa minha por ver fantasmas onde eles talvez não existam. Mas pergunto-me...porquê com ela? Eu não consigo negá-lo, eu adoro-a. Talvez mais do que ela imagina ou sabe. Apesar de tudo, de me sentir magoado, eu continuo a querer o melhor para ela e que ela seja feliz. Já cheguei a pensar que talvez eu pudesse fazê-lo, mas não me acredito. Não que ela seja demais para mim...ela apenas não me consegue ver a mim como eu a consigo ver a ela. Não estou apaixonado, mas bastava que ela se apaixonasse e eu apaixonava-me por ela. O que me leva a pensar: ou estamos ambos a esconder algo demasiado bem um do outro e não devíamos ou eu estou outra vez a ver a pessoa perfeita no lugar errado.

De qualquer forma, como se diz hoje em dia ela "não é da minha liga". Não é achar-me mau. Apenas acho que ela está uns níveis acima de mim. E eu já lhe disse isso...

"Não me vês, não me ouves. Se ao menos sonhasses..."